Pular para o conteúdo principal

Ava Rocha, suas tranças e a potencialidade feminina



 
Foto: Afonso Silvestre

por Letícia Mendes

“Sou eu queimando na fogueira no diabo”. Foi assim que a cantora, compositora, cineasta e performer Ava Rocha manifestou a força e sedução feminina por meio de performances inusitadas e impactantes. Na noite de estreia da 14º edição da Mostra Cinema Conquista, Ava, filha do homenageado Glauber Rocha, com um vestido preto longo contrastado com o chapéu vermelho, facas prateadas e uma máscara de cera em mãos, apresentou ao público músicas do seu álbum “Tranças”, no qual deixa claro, em meio aos gestos, que é ela quem manda no palco, em parceria com o músico Filipe Massumi.

Irreverente, Ava Patrya Yndia Yracema Gaitán Rocha brincou em cada minuto do seu espetáculo. No primeiro momento, deixou a plateia boquiaberta ao subir ao palco com um copo d'água sobre a cabeça de uma representação de cera, a qual não foi atribuído gênero ou nome. Ao longo do show, ela fez questão de hipnotizar os espectadores a cada movimento inesperado, desde deitar-se no chão e colocar um pano vermelho inteiro na boca, a “benzer” o público com respingos de água sobre a ponta de suas facas.

A música “Joana Dark” marcou a apresentação por subjetivar temas como feminismo, bruxaria e drogas. Ao incorporar o tema de sua música, a cantora interagiu diretamente com mulheres que, ao receberem o microfone, cantaram: “aqui sou eu quem mando, sou eu queimando na fogueira do pecado”, a fim de reafirmar a potencialidade feminina.

Axé Ava!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mostra na periferia: “nem muitas pessoas tem essa oportunidade de ir ao cinema”, diz Ana Paula, moradora do Bairro Urbis VI

Por Gabriel Aguiar Ontem, 04/09, foi realizada na quadra poliesportiva do Bairro Urbis VI, o segundo dia de exibição de dois curtas e um longa-metragem da Mostra Cinema Conquista, em uma espécie de Cine-Tenda. Pouco a pouco crianças, adultos e idosos foram se acomodando e tiveram a oportunidade de vivenciar o contato com a sétima arte, assistindo a filmes brasileiros. O primeiro a ser exibido foi o curta-metragem “Jéssika” de 2018, tendo como diretora, a pernambucana Galba Gogoia. O curta evidencia uma realidade de muitas travestis, que estão nesse processo de busca da aceitação de familiares e de si mesmas, colocando em discussão assuntos relacionados à identidade de gênero. Embora a cineasta não pôde estar presente, sua obra a representou com maestria: assim como Jéssika no filme, Galba é assumidamente Travesti. A segunda exibição foi o lançamento do curta “A fome de Glauber”, sob a direção de Denis Martins, estudante de Cinema da UESB. “Eu acho muito impo...

Diretor de "Não Falo Com Estranhos" arrasa corações em Mostra Cinema Conquista

Por Tiago de Lima Em entrevista ao nosso blog, na XIV Mostra Cinema Conquista, o diretor Klaus Hastenreiter, de "Não Falo Com Estranhos", falou sobre cinema, arte e público na noite de 02/09. Premiado e exibido em vários festivais pelo Brasil, o curta-metragem, de 2017, foi o filme de abertura da Mostra. Criador e roteirista, o diretor, ao ser questionado sobre qual a mensagem que o filme pretendia passar, foi direto. "Tem uma frase de meu cunhado, que é diretor de teatro, que eu gosto muito; (...) fala sobre (...) essa coisa de mensagem (...), sobre o diretor querer impor uma mensagem pras pessoas entenderem e acharem que é só isso; (...) [ele diz] "'Eu não sou celular pra passar mensagem'; eu acho muito boa". Klaus também contou que a ideia por trás do filme surgiu de um drama vivido por ele mesmo no passado e que se sentiu bastante surpreso e aliviado quando descobriu que não era o único a se sentir dessa maneira. E explicou como colocou isso no...

“Atingir a Ancine é atingir gravemente a produção artística”, diz Esmon Primo

Por Talissom Santos e Fábio Sena   Entusiasta e grande responsável pela existência da Mostra Cinema Conquista, cinéfilo e agitador cultural, Esmon Primo tem convicção de que a produção artística e cultural brasileira será profundamente afetada se o presidente Jair Bolsonaro levar adiante a ideia de interromper o processo de financiamento da Agência Nacional do Cinema, a Ancine. Segundo ele, haverá impacto também econômico, vez que o fazer cinematográfico mobiliza artistas e um conjunto de outros profissionais, como eletricistas, pedreiros e marceneiros. Em conversa com o Megafonte  , Esmon Primo usou como exemplo o longa-metragem Alice dos Anjos, dirigido pelo cineasta conquistense Daniel Almeida. “A produção envolveu diversas pessoas: artistas, artesãos, profissionais elétricos, pedreiros, marceneiros. Então, o cinema movimenta a economia de uma cidade, independentemente de onde ele é”. Sobre a Mostra, Esmon afirma que o objetivo continua sendo mostrar o que está se...