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Esmon Primo fala sobre a importância do cinema na periferia.

Foto: Sara Dutra

Por Wendel Brito


No penúltimo dia da Mostra Cinema Conquista – Ano 14, o clima foi de êxtase com os filmes exibidos nas sessões da noite desta quinta-feira (05). O primeiro filme a ser exibido, foi o média-metragem “Sete Anos em Maio” do cineasta Affonso Uchôa. Filme esse que conta uma história real que deixou os espectadores apreensivos com o depoimento de “Fael”, que protagonizou esta história triste e violenta. Logo após, foi apresentado o longa “Divino Amor”, do diretor Gabriel Mascaro. O longa conta a história de Joana, uma escrivã de cartório, cujo o sonho é ter um filho. Mas infelizmente o seu marido é estéril, o que leva os dois a tentarem de tudo para conseguir realizar esse sonho. O longa nos presenteia com um final bastante inusitado, que deixou o público criando teorias a respeito, ao final da sessão.
Após o encerramento das exibições, o coordenador geral da mostra, Esmon Primo, cedeu uma entrevista exclusiva ao Megafonte, para falar sobre a importância de levar a cultura do cinema aos bairros periféricos de Vitória da Conquista.
 
Foto: Alice Santiago
Confira abaixo a entrevista completa. 

Megafonte: Qual a sensação do senhor, enquanto idealizador do evento, em ver todas essas pessoas tendo contato com o cinema? 

Esmon Primo: Desde o início, a mostra que já vem da experiência do Janela Indiscreta, começou a sair dos muros da UESB desde meados de 1995 e foi levando o cinema inicialmente para os bairros periféricos e depois para os distritos. Então, essa experiência e essa prática de levar o cinema para as periferias, é super válida para que as pessoas tenham acesso ao cinema. A cada ano, diferencia-se os bairros. Nós sempre colocamos quatro noites, sempre com dois curtas e um longa, já na zona rural, colocamos um curta e um longa. É isso, basicamente é dar acesso a essa população, que assiste o cinema em casa, através da TV, que não mostra esse tipo de filme, ou até por não ter "grana" para ir até o Shopping (onde tem o cinema mais próximo) que lida com outro tipo de cinema, onde não mostra o que está em volta da gente, como aqui, (na mostra) tivemos uma sequência de filmes, com temáticas indígenas ou de gêneros. São filmes que essas pessoas não conseguem ter acesso.

Megafonte: Quais os benefícios que uma comunidade pode adquirir com eventos como este?

Esmon Primo: É isso, ter acesso a uma programação de filmes que é inacessível para eles.

Megafonte: O senhor pretende, nas próximas edições, estender a Cine-Tenda para outros bairros de Vitória da Conquista?

Esmon Primo: Se nós tivéssemos mais recursos, faríamos simultaneamente na sede (Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima) e em mais três, quatro ou até mais praças, com a mesma qualidade técnica. Porque para nós e para o cinema, é preciso que a imagem e o som sejam muito atrativos para que as pessoas sejam mais comovidas a saírem de suas casas e sentar para assistir a esses filmes e histórias de vida.



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