Pular para o conteúdo principal

Que venha mais uma Mostra de Cinema Conquista

Por: Adélia Brito, João de Jesus e Mariana Lima 

  
A 14ª Mostra de Cinema Conquista que aconteceu entre os dias 01 e 06 de setembro, abriu o mês de setembro reavivando o cenário cultural de Vitória da Conquista. O evento que aconteceu no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima já se tornou tradição entre os amantes de cinema da cidade. Além da exibição dos filmes, o público pôde contar com oficinas, rodas de conversa e conferências.  A mostra contou ainda com exibições itinerantes em alguns bairros e distritos de Vitória da Conquista com programação especial para adultos e crianças.
Esta edição homenageou o cineasta conquistense Glauber Rocha, que ainda hoje produz impacto e gera reflexões com suas obras. Para Maria Marighella, representante da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, Glauber é importante para pensarmos nossa existência “a gente tem que comemorar Glauber e o que ele produz de efeito na nossa subjetividade e na nossa identidade”, ressalta.
Dentre os vários filmes que foram exibidos, o do diretor Cristiano Burlan está entre um dos que chamaram à atenção do público. “Elegia de um crime” traz a trajetória pessoal do cineasta em busca de justiça pelo assassinato de sua mãe, Isabel Burlan. O documentário encerra a “trilogia de luto” do diretor, que antes havia tratado da morte do pai em “Construção” (2006) e dado sequência com “Mataram meu irmão” (2013), ao retratar a trágica realidade de sua família utilizando sua câmera, Burlan escancara a realidade de um crime que até hoje continua impune, já que o assassino de mãe continua foragido. Assim retrata a realidade presente na atual contexto social, em que a impunidade faz a violência ser entendida como algo natural, pessoas ligadas ao crime sendo tratados como pessoas normais e “apadrinhados” por uma sociedade que finge não ter culpa de nada.
A Mostra de Cinema trouxe para os conquistenses um misto de impacto com o respiro de dias menos hostis com sensações que somente a arte e seus efeitos são capazes de proporcionar. Como pontuou Maria, “a arte traz essa capacidade de sonhar, de pensar novos mundos mais democráticos, mais justos, mais livres”. Um evento grande, que ajuda no comercio local, valoriza mais produções da terra, mostra um mundo bem diferente do retratado na política e em mídias e chama mais pessoas para o mundo cinematográfico, ao oferecer a gratuidade. Valorizar esse evento já é uma forma de resistir a todas as adversidades que o mundo capitalista aristocrático impõe e prestigiar é sempre uma forma a mais de buscar que mais edições de Mostra de Cinema aconteçam em Vitoria da Conquista.
Foto: João de Jesus 

Comentários

  1. Eventos como esse é muito bacana , além de fomentar a cultura local ainda leva a produção cinematográfica para aqueles que são mais desfavorecidos ao acesso a cultura.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Mostra na periferia: “nem muitas pessoas tem essa oportunidade de ir ao cinema”, diz Ana Paula, moradora do Bairro Urbis VI

Por Gabriel Aguiar Ontem, 04/09, foi realizada na quadra poliesportiva do Bairro Urbis VI, o segundo dia de exibição de dois curtas e um longa-metragem da Mostra Cinema Conquista, em uma espécie de Cine-Tenda. Pouco a pouco crianças, adultos e idosos foram se acomodando e tiveram a oportunidade de vivenciar o contato com a sétima arte, assistindo a filmes brasileiros. O primeiro a ser exibido foi o curta-metragem “Jéssika” de 2018, tendo como diretora, a pernambucana Galba Gogoia. O curta evidencia uma realidade de muitas travestis, que estão nesse processo de busca da aceitação de familiares e de si mesmas, colocando em discussão assuntos relacionados à identidade de gênero. Embora a cineasta não pôde estar presente, sua obra a representou com maestria: assim como Jéssika no filme, Galba é assumidamente Travesti. A segunda exibição foi o lançamento do curta “A fome de Glauber”, sob a direção de Denis Martins, estudante de Cinema da UESB. “Eu acho muito impo...

Diretor de "Não Falo Com Estranhos" arrasa corações em Mostra Cinema Conquista

Por Tiago de Lima Em entrevista ao nosso blog, na XIV Mostra Cinema Conquista, o diretor Klaus Hastenreiter, de "Não Falo Com Estranhos", falou sobre cinema, arte e público na noite de 02/09. Premiado e exibido em vários festivais pelo Brasil, o curta-metragem, de 2017, foi o filme de abertura da Mostra. Criador e roteirista, o diretor, ao ser questionado sobre qual a mensagem que o filme pretendia passar, foi direto. "Tem uma frase de meu cunhado, que é diretor de teatro, que eu gosto muito; (...) fala sobre (...) essa coisa de mensagem (...), sobre o diretor querer impor uma mensagem pras pessoas entenderem e acharem que é só isso; (...) [ele diz] "'Eu não sou celular pra passar mensagem'; eu acho muito boa". Klaus também contou que a ideia por trás do filme surgiu de um drama vivido por ele mesmo no passado e que se sentiu bastante surpreso e aliviado quando descobriu que não era o único a se sentir dessa maneira. E explicou como colocou isso no...

“Atingir a Ancine é atingir gravemente a produção artística”, diz Esmon Primo

Por Talissom Santos e Fábio Sena   Entusiasta e grande responsável pela existência da Mostra Cinema Conquista, cinéfilo e agitador cultural, Esmon Primo tem convicção de que a produção artística e cultural brasileira será profundamente afetada se o presidente Jair Bolsonaro levar adiante a ideia de interromper o processo de financiamento da Agência Nacional do Cinema, a Ancine. Segundo ele, haverá impacto também econômico, vez que o fazer cinematográfico mobiliza artistas e um conjunto de outros profissionais, como eletricistas, pedreiros e marceneiros. Em conversa com o Megafonte  , Esmon Primo usou como exemplo o longa-metragem Alice dos Anjos, dirigido pelo cineasta conquistense Daniel Almeida. “A produção envolveu diversas pessoas: artistas, artesãos, profissionais elétricos, pedreiros, marceneiros. Então, o cinema movimenta a economia de uma cidade, independentemente de onde ele é”. Sobre a Mostra, Esmon afirma que o objetivo continua sendo mostrar o que está se...